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Efeitos da psicoterapia

Ainda sob um ponto de vista geral, ou seja, comum a todas as escolas psicoterapêuticas, os efeitos da psicoterapia podem ser analisados sob dois aspectos:

  • aspecto processual, isto é, que se refere ao trabalho terapêutico em si. Aqui podem se observar os seguintes efeitos: o fortalecimento do relacionamento terapêutico, a intensificação da expectativa de sucesso do paciente, sensibilização do paciente a fatores que ameaçam sua estabilidade psíquica, um mais profundo conhecimento de si mesmo (autoexploração) e a possibilidade de novas experiências pessoais.
  • aspecto final, isto, que se refere às consequências da terapia na vida do paciente. Aqui se diferenciam os microefeitos dos macroefeitos.
  •  Os microefeitos referem-se aos pequenos progressos que acontecem durante a terapia, entre as sessões: os paciente experiencia novas situações, emoções, novas facetas de si, novas formas de comportamento. Já os macroefeitos dizem respeito às consequências a longo prazo e às mudanças mais profundas, relacionadas às estruturas mais centrais da personalidade e do funcionamento psíquico: a pessoa adquire novas posturas em relação a simesma e aos demais, adquire novas capacidades e competências. Sobretudo, uma terapia realizada com sucesso conduz a um aumento da autoeficácia (self-efficacy), ou seja, da convicção do paciente de ser capaz de lidar com os problemas que o faziam sofrer, que leva a um aumento da autoestima. Outros efeitos são ainda uma compreensão maior dos problemas que afligem o paciente e da história de vida, que conduziu a eles.

Tanto os micro- como os macro efeitos se podem dar em três níveis: (1) melhora do bem-estar, (2) modificação dos sintomas e (3) modificação da estrutura da personalidade. Mudanças na estrutura da personalidade só são possíveis depois de uma melhora do bem-estar e dos sintomas.

Tipos de psicoterapia

Apesar de terem tanto em comum, os diferentes tipos de psicoterapia se diferenciam na ênfase que dão em cada um desses aspectos comuns. Antes de serem concorrentes, os diferentes tipos de psicoterapia possibilitam uma maior adaptabilidade do tratamento às características individuais do paciente e podem ser classificados sob diversos pontos de vista:

Classificações sob aspectos formais

  • De acordo com o número de pessoas: psicoterapia individual, de casal, familiar ou de grupo;
  • De acordo com a duração: terapias breves (ca.6-15 sessões) e longas (até três ou mais anos);
  • De acordo com o setting (contexto): online ou pessoalmente;
  • De acordo com a delegação do “poder terapêutico”: terapias diretivas (power to the terapist), em que o terapeuta trabalha com apenas um paciente; terapias de mediação (power to the mediator), em que o auxílio não é direcionado ao paciente diretamente, mas a pessoas relevantes para ele (pais, parceiro, etc.); grupos de auto-ajuda (power to the person), em que pessoas os mesmos problemas procuram juntas se ajudar mutuamente na superação do problema;
  • Alguns métodos têm por objetivo mudanças intrapessoais (nas funções psíquicas do indivíduo), outros têm por fim mudanças em sistemas interpessoais disfuncionais (pares, famílias, grupos de trabalho…);
  • De acordo com o fim da terapia: alguns tipos de psicoterapia têm por fim a superação de um problema(problembewältigungsorientiert), outras objetivam uma clarificação dos motivos e objetivos pessoais do paciente (motivational-klärungsorientiert) e por fim outras buscam enfatizar as ressources do paciente, dando atenção mais às partes saudáveis da pessoa.

Classificação de acordo com a perspectiva teórica

M. Perrez e U. Baumann (2004), baseados em trabalhos anteriores, classificam quatro grande famílias psicoterpêuticas:

  • Psicoterapias psicodinâmicas: explicam os problemas psíquicos com base em conflitos inconscientes originados na infância e seu objetivo é superação de tais conflitos. Para isso elas procuram compreender o presente a partir do passado e trabalham com métodos interpretativos. Objetos de interpretação podem ser as livres-associações, os fenômenos transferenciais, os atos falhos, os sonhos etc.
  • Psicoterapias cognitivo-comportamentais: explicam os transtornos mentais baseadas na história de aprendizado do indivíduo e nas interações dele com seu meio, e têm por objetivo o restabelecimento das competências do paciente de controlar seu comportamento e de influenciar suas emoções e percepsões. Apesar de também ter um olho voltado para o passado, este grupo de terapias se concentra sobretudo no presente e trabalha com métodos como treinamentos, condicionamento operantehabituaçãoreestruturação cognitiva, odiálogo socráticométodos psicofisiológicos, entre outros.
  • Psicoterapias existencial-humanistas: Esse tipo de terapia parte do princípio que todo ser humano possui em si uma força interna que, se não for impedida por influência externa, o conduz à sua plena realização. Elas explicam assim os trantornos psíquicos como fruto da incongruência entre a autoimagem e a experiência pessoal e buscam fomentar as forças de autorealização (selfactualisation) do indivíduo. Esse grupo de terapias se concentra na experiência atual da pessoa e procuram métodos de trabalho que possibilitem ao cliente (como é chamado por elas a pessoa que busca a terapia) desenvolver-se de maneira congruente a suas necessidades
  • Psicoterapias orientadas na comunicação: consideram os transtornos do comportamento como expressão de estruturas de comunicação disfuncionais e buscam uma reorganização de tais estruturas ou a formação de novas, mais construtivas. Também tais terapias preocupam-se sobretudo com a situação presente e trabalham com métodos que possam gerar novas formas de compreensão da realidade e de si mesmo.

Essa classificação, apesar de possibilitar uma visão geral da área da psicoterapia, é no entanto muito genérica para englobar todas as formas existentes, sobretudo porque muitas são formas híbridas, que juntam em si elementos de diferentes tendências.

Abordagens transteóricas

Apesar de toda a complementariedade das diferentes escolas e linhas da psicoterapia – e apesar de muitos psicoterapeutas fazerem usos de idéias e técnicas de diferentes linhas – a relação entre elas está longe de ser amigável. As escolas psicodinâmicas e existencial-humanistas são muitas vezes atacadas por não serem suficientemente empiricamente fundamentadas, enquanto as cognitivo-comportamentais são acusadas de serem mecânicas, cansativas e superficiais.  A tentativa de proporcionar à prática psicoterapêutica uma base comum é feita por diferentes autores de diferentes maneiras:

  • Integração: é a busca de uma unificação da base teórica das diferentes escolas (Arkowitz, 1992).
  • Ecletismo: é uma posição mais prática. O objetivo é reunir os elementos efetivos das diferentes escolas, sem levar em conta possíveis diferenças teóricas.
  • A busca de variáveis transteóricas, que são os fatores comuns a todas as escolas, mas que recebem em cada uma delas um papel mais ou menos central. Ver acima “Mecanismos de mudança em psicoterapia”.
  • A busca de uma psicoterapia geral (allgemeine Psychotherapie, Grawe et al., 1997), que é a formação de uma estrutura teórica básica, que oferece uma possibilidade de localizar e descrever as diferentes escolas.

Importante é notar que ainda não existe uma teoria geral que abarque todas as formas de psicoterapia. A moderna psicoterapia é um sistema aberto que tem ainda muito a se desenvolver por meio da pesquisa científica. Um importante papel na pesquisa atual desempenham os tratamentos voltados para transtornos específicos e não terapias genéricas. Exemplos de trabalhos transteóricos podem ser encontrados em diferentes novas abordagens de terceira geração da terapia comportamental bem como em grupos de pesquisa em diferentes países europeus, entre eles a Suiça.

Indicação

Indicação designa o conjunto de sintomas e sinais que mostram qual tipo intervenção é mais apropriada em um determinado caso. A pricipal indicação para uma psicoterapia é um transtorno mental. Mas não só. Uma psicoterapia pode ser indicada também em situações em que o indivíduo está insatisfeito com a própria forma de vida, em que ele precisa tomar decisões difíceis e não sabe como, em situações em que a pessoa não vê sentido naquilo que faz, etc.

Uma outra questão de indicação que hoje em dia recebe muito pouca atenção é o da forma de psicoterapia. Como foi tratado mais acima, cada tipo de psicoterapia trabalha de modo mais acentuado com um dos mecanismos de mudança (mesmo que os outros mecanismos sempre estejam presentes de maneira mais sutil). No entanto a decisão a respeito do tipo de psicoterapia a ser realizado não costuma ser feita a partir do estado do paciente ou de outras formas de indicação, mas simplesmente pelo tipo de formação do terapêuta. Um dos maiores problemas da divisão da psicoterapia em escolas distintas e antagônicas é exatamente que a formação dos psicoterapêutas é limitada a um tipo de terapia, a um mecanismo de mudança, o que impede que ao paciente seja oferecida toda a gama possível de formas de trabalho psicoterapêutico – para que então se possa escolher, com base em critérios diagnósticos, qual a forma mais indicada para o caso individual. Essa importante questão exige principalmente uma reestruturação da formação dos psicoterapêutas e está atualmente no centro das discussões sobre as diferentes formas de psicoterapia.

Referências

  1. ↑ a b c d e f g Perrez & Baumann, “Psychotherapie: Sytematik und methodenübergreifende Faktoren”, Cap. 18, p. 430-455 em Perrez & Baumann (2005)
  2.  Orlinsky, D.E. & Howard, K.I. (1986). “Process and outcome in psychotherapy”. In S.L. Garfiel & A.E. Bergin (eds.),Handbook of psychotherapy and behaviour change. New York: Wiley, 4th ed., pp.311-384.
  3.  Lipsey, M.W. & Wilson, D.B. (1993). “The efficacy of psychological, educational, and behavioral treatment: Confirmatin from meta-analysis”.American Psychologist, 48, 1181-1209.
  4.  Shadish, W.R., Matt, G.E., Navarro, A.M. et al. (1997). “Evidence that therapy works in clinically representative conditions”. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 65, 355-365.
  5. ↑ a b Grawe, Klaus (1998). Psychologische Therapie. Göttingen: Hogrefe.
  6. ↑ a b Prochaska, J.O., DiClemente, C.C. & Norcross, J.C. (1992). “In search of how people change”. American psychologist, 47, pp. 1102-1114.
  7.  Grawe, Klaus (2005). “Empirisch validierte Wirkfaktoren statt Therapiemethoden”. Report Psychologie 7/8.
  8.  * Howard, K.I.; Lueger, R.J.; Maling, M.S. & Martinovich, Z. (1992). A phase model of psychotherapy outcome: Causal mediation of change. Paper presented at the 23rd Annual Meeting of the Society for Psychotherapy research, Berkeley, CA (EUA).
  9.  Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit (3. Aufl.). Berlin: Springer.
  10.  Sachse, Rainer (2005). Von der Gesprächspsychotherapie zur Klärungsorientierten Psychotherapie: Kritik und Weiterentwicklung eines Therapiekonzeptes. Lengerich: Pabst Science Publ.
  11.  Leahy, Robert L. (2007). Techniken kognitiver Therapie: ein Handbuch für Praktiker. Paderborn: Junfermann.
  12.  Grawe, Klaus (1997). “Research-informed psychotherapy”. Psychotherapy research, 7, pp. 1-19.
  13.  Cf. www.psychotherapie.ch
  14.  Cf. www.psychotherapiecharta.ch
  15.  Sachse, Rainer (2003). Klärungsorientierte Psychotherapie. Göttingen: Hogrefe.

Bibliografia

  • Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit (3. Aufl.). Berlin: Springer. ISBN 978-3-540-71684-6
  • Associazione svizzera degli psicoterapeuti (2010), Scienze psicoterapeutiche (SPT) – Rapporto sulle possibilità di sviluppo di un curriculum di studi indipendente in SPT e di un concetto integrale per la formazione professionale scientifica, Zurigo. Cfr. http://www.psychotherapie.ch.
  • Grawe, Klaus; Donati, Ruth & Bernauer, Friederike (1997). Psychotherapy in Transition: From Speculation to Science. Göttingen: Hogrefe.ISBN 0-88937-149-0 (Original: Grawe et. al., 1994. Psychotherapie im Wandel. Von der Konfession zu der Profession. Göttingen: Hogrefe.)
  • Grawe, Klaus (1998). Psychologische Therapie. Göttingen: Hogrefe. ISBN 3-8017-0978-7
  • Sachse, Rainer (2003). Klärungsorientierte Psychotherapie. Göttingen: Hogrefe. ISBN 3-8017-1643-0
  • Leahy, Robert L. (2007). Techniken kognitiver Therapie: ein Handbuch für Praktiker. Paderborn: Junfermann. ISBN 978-3-87387-661-3(Original: Leahy, R. L. (2003). Cognitive therapy techniques – A practioner’s guide. New York: Guilford Publications. ISBN 1-57230-905-9)
  • Perrez, Meinrad & Baumann, Urs (2005). Lehrbuch klinische Psychologie – Psychotherapie. Bern: Huber. ISBN 3-456-84241-4
  • Sachse, Rainer (2005). Von der Gesprächspsychotherapie zur Klärungsorientierten Psychotherapie: Kritik und Weiterentwicklung eines Therapiekonzeptes. Lengerich: Pabst Science Publ. ISBN 3-89967-212-7
Como o texto está bastante fundamentado e baseado em autores de peso, não vi necessidade de acrescentar nada ou citar outras fontes, pois seria redundante.
Patricia Nadruz
Texto retirado de pt.Wikipedia.org/psicologia
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